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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ruas de Anchieta: Estrada Marechal Alencastro

Napoleão de Alencastro Guimarães nasceu em São Sebastião do Caí no dia 29 de março de 1899. Ele era filho de Pedro Alencastro Guimarães e neto do Tenente Coronel Antônio José da Silva Guimarães. Quem conhece um pouco da nossa história sabe que São Sebastião do Caí, antes de ser assim batizada, foi conhecida como Porto do Guimarães. Antônio José da Silva Guimarães foi um homem muito influente. Ele pode ser considerado até como o fundador da cidade. Se não chega a tanto, ele foi, pelo menos o líder mais importante da história inicial da cidade. Antônio José da Silva Guimarães nasceu em Porto Alegre no dia 2 de junho de 1809. Ele era filho de Antônio José da Silva Guimarães, nascido em Guimarães (Portugal) no dia 24 de janeiro de 1773.
O Tenente Coronel Antônio José da Silva Guimarães casou-se com Maria Faustina Centeno de Alencastro, filha de um rico fazendeiro de Capela de Santana. Por isto, seus filhos (e netos) tiveram o sobrenome Alencastro Guimarães.
Sobre a juventude de Napoleão de Alencastro Guimarães ainda não sabemos muito. É provável que ele tenha ficado pouco tempo no Caí. Sabemos que casou com Luiza Siebel (nascida em 1903) e foi pai de três filhos: Maria, João Vitor e Maria Tereza (nascidos nos anos de 1925, 27 e 29). Na maturidade viveu no Rio de Janeiro, então capital do país, onde tornou-se um político importante.
No ano de 1943 ele era diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil e foi figura destacada na festa de inauguração da estação estação Dom Pedro II, no centro do Rio de Janeiro. Na ocasião ostentava a patente de Major.
Napoleão de Alencastro Guimarães foi deputado federal, senador e ministro de estado. Por coincidência, Ministro da Indústria e Comércio, a mesma pasta que dez anos depois foi ocupada pelo seu conterrâneo Egydio Michaelsen. Elegeu-se senador em 1950.
Faleceu no Rio de Janeiro em 1964.
 

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Ruas de Anchieta: Rua General Augusto Sisson


A vida do primeiro filho de Sébastien Auguste Sisson e Marie Justine Falher Sisson foi repleta de feitos grandiosos na carreira militar.
Nascido em 04 de dezembro de 1863, iniciou sua carreira bem cedo incorporando-se ao Exército Brasileiro com 16 anos de idade.
Augusto Maria Sisson, que também era engenheiro militar, alcançou a patente de General em 17 de outubro de 1917, deixando marcado na história o resultado de um trabalho dedicado a inúmeros serviços prestados ao Brasil.
Sob o comando do Coronel Gomes Carneiro, o até então Capitão Sisson, assumiu o comando das forças de Artilharia participando da Revolução Federalista em 1894 na cidade de Lapa, no Paraná onde ocorreu o histórico “Cerco da Lapa”, episódio importante para a consolidação da República, quando a parte sul da cidade foi invadida pelas tropas revolucionárias rio-grandenses.

Sisson lutou bravamente com seus artilheiros por quase 30 dias até cessarem os recursos das tropas de resistência, tendo se destacado como um dos heróis daquele confronto. Por sua tenaz resistência, o 15° Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado situado em Lapa, recebeu a denominação histórica de “Grupo General Sisson” em 24 de outubro de 2002.

Ainda em 1894, Augusto Maria seguiu para Goiás após ser designado para a Comissão Demarcadora do novo Distrito Federal, chefiada pelo engenheiro e geógrafo Gastão Cruls.
Também como engenheiro militar, Sisson, após retornar da Alemanha onde assistiu as experiências de armar e desarmar cúpulas giratórias fabricadas pela Krupp, retomou as obras do Forte de Imbuí, na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, desativado desde 1863, onde construiu uma cúpula encouraçada de origem alemã.

Na solene inauguração do Forte do Imbuí, o Marechal Mallet louvou o então Major Augusto Maria Sisson, engenheiro chefe das obras, com os seguintes termos:
Recordando, pois, assinalados serviços prestados por aqueles oficiais, mandei, em ordem do dia, louvar o Major Augusto Maria Sisson, pela inteligência, zelo, esforço e dedicação com que se houve, na parte que lhe coube no projeto, aquisição, fiscalização e execução das obras da Fortaleza de Imbuhy.
Também foram de sua responsabilidade as obras do Forte da Lage concluídas em 1902.

Em 1905, o Tenente-Coronel Augusto Maria Sisson foi nomeado Chefe da Comissão Construtora da Fábrica de Pólvoras sem Fumaça, em Piquete, Estado de São Paulo,  inaugurada em 15 de março de 1909, como a mais moderna fábrica de pólvora da América do Sul. Ainda hoje, no município, existe um busto de bronze de Sisson em frente ao antigo Cassino dos Oficiais.
Ainda em 1909, foi nomeado para as funções de Chefe do Serviço de Engenharia Militar do Rio Grande do Sul e em 1915 nomeado como Comandante da Escola Militar de Realengo quando ascendeu a General. O General Sisson permaneceu ativo até o último ano de sua vida como Presidente do Clube Militar do Rio de Janeiro e Chefe do Gabinete Militar do Presidente da República até que, em 8 de março de 1918, com 55 anos de idade, faleceu na cidade do Rio de Janeiro.

 Fonte: http://familiasisson.wordpress.com/biografias/membros-de-destaque/

sábado, 15 de janeiro de 2011

Ruas de Anchieta: Rua Thomas Edison

 11/03/1847, Milan, Ohio (EUA)
18/10/1931, West Orange, Nova Jersey (EUA)

John Krusei, chefe das oficinas do laboratório de Menlo Park, em 1877, apostou com seu chefe uma caixa de charutos que aquilo não funcionaria. Para ele, Thomas Alva Edison só podia estar brincando quando disse que o tubo metálico com uma espécie de funil serviria para repetir quaisquer palavras ditas nele. Para provar, Edison girou o cilindro e cantou dentro do funil: "Maria tinha um carneirinho." A sua voz fez vibrar a membrana de pergaminho. Essa vibração comandou uma agulha que ia sulcando a superfície macia do estanho.

Em seguida, posto novamente para funcionar, o sulco do estanho vibrou a agulha e esta acionou a membrana de pergaminho que devolveu pelo funil: "Maria tinha um carneirinho." Assim, o ditafone recém-inventado deu a Edison uma caixa de charutos e outra patente. Ele registrou 1.093 delas, mas a maioria não era original, e sim, melhorias. Edison foi criticado por não compartilhar os seus créditos com os empregados.

O irlandês Samuel Edison, militante pela independência do Canadá, teve de fugir com a mulher, Nancy Elliot. Foi para a cidade de Milan, Ohio, onde nasceu Thomas a 11 de março de 1847. Na juventude, sem dinheiro, a inteligência ajudava Edison a arrumar e a perder empregos, pois não se conformava com a rotina. Queria inovar.

Durante o tempo passado como operador de telégrafo, ele criou um aparelho registrador de números e letras para mensagens telegráficas. Assim não teria de ouvir os sinais em código morse o tempo todo. Foi demitido, acusado de preguiça. Em 1869, vendeu o teletipo na Bolsa de Valores de Nova York por 40 mil dólares e os especuladores puderam ler as cotações mais rapidamente. Nas décadas seguintes, desenvolveu um meio de enviar duas e, depois, quatro mensagens simultâneas num mesmo cabo.

Da noite para o dia, ficou rico e abriu um laboratório de pesquisas que se tornou um precursor da tecnologia do século 20. Ao mesmo tempo, seu exemplo de empreendedor legou uma grande influência cultural sobre a nação. Sua maior invenção, porém, foi próprio laboratório criativo, onde uma coisa leva à outra. Ele acreditava que a experiência de lentas reelaborações da idéia e do aparelho sempre conduzia a resultados práticos decisivos.

O próprio Edison ficou admirado com fonógrafo. Por dez anos, o aparelho ficou de lado porque muita gente suspeitava da presença de algum ventríloquo escondido. Gradualmente, foram surgindo o gramofone e o disco sulcado que revolucionou a música. E esse desenvolvimento ajudou a orientar o aperfeiçoamento do telefone.

Em 1876, Menlo Park era uma cidade industrial, com oficinas, laboratórios e técnicos capacitados. Edison chegou a propor a meta de produzir uma novidade a cada dez dias. Por quatro anos, conseguiu uma criação a cada cinco dias.

Outros pesquisadores já haviam tentado, mas, em 1878, aos 31 anos, Edison decidiu obter luz a partir da energia elétrica. No ano seguinte, sua lâmpada brilhou por 48 horas contínuas e, nas festas do final de ano, uma rua inteira foi iluminada para demonstração pública.

(Fonte: UOL Educação)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Ruas de Anchieta: Avenida Cipriano Barata

Cipriano José Barata de Almeida nasceu em uma família abastada e formou-se em medicina na Universidade de Coimbra. Porém foi como um dos mais atuantes jornalistas políticos do Primeiro reinado que marcou as páginas da história brasileira. Se, como diz MIllôr Fernades, "jornalismo é oposição", com certeza Cipriano Barata deveria ser o patrono do jornalismo brasileiro.

Homem de idéias liberais e republicanas, influenciado pela Revolução Francesa, irrequieto e combativo, Cipriano Barata movimentou a opinião pública, propagou o liberalismo e combateu a escravidão. Considerado traidor pelos defensores do trono, participou da Inconfidência Baiana de 1798, quando foi preso. Exerceu importante cargo na Revolução Pernambucana de 1817.

Para assegurar condições mais humanas aos presos políticos, fundou comitês de solidariedade. Fez parte das sociedades secretas que lutavam pela independência e pelo constitucionalismo e presidiu reuniões de conspiradores favoráveis ao sistema monárquico-representativo.

Barata começou sua atividade jornalística na "Gazeta Pernambucana". Em abril de 1823, fundou seu próprio veículo de comunicação: a "Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco", em que o jornalista hostilizava o governo imperial de dom Pedro 1º. e posicionava-se a favor das idéias republicanas e da autonomia das províncias.

As críticas de Cipriano Barata levaram-no à prisão diversas vezes. No cárcere ou em liberdade, mantinha-se oposicionista e antilusitano. Sua luta criou as condições para a Confederação do Equador. Eleito como representante baiano para a Assembléia Constituinte, não tomou posse porque as tropas de dom Pedro cercavam a Assembléia, intimidando os deputados. A Constituinte acabou fechada pelo imperador que outorgou uma Constituição ao país em 1824.

Antes disso, porém, Cipriano foi detido na fortaleza de Brum, em Pernambuco, em 17 de novembro de 1823. Mesmo preso, continuou se opondo ao governo com outro jornal, a que deu o nome de: "Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco, atacada e presa na fortaleza de Brum por ordem da força armada reunida".

Transferido para o Rio de Janeiro, acabaria passando por inúmeras prisões, permanecendo detido até 1830. Mas continuava a escrever, nomeando seus jornais como "Sentinela da Liberdade" e variando o final do título de acordo com a prisão onde se encontrava.

Abandonou as atividades políticas em 1836 e retirou-se para Natal, onde morreu dois anos depois. 

(Fonte: UOL Educação)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ruas de Anchieta: Rua Carolina Micaélis (Michaëlis)

Carolina Wilhelma Michaëlis de Vasconcelos (Berlim, 15 de Março de 1851 — Porto, 22 de Outubro de 1925) foi a mais célebre filóloga da língua portuguesa. Ela foi crítica literária, escritora, lexicógrafa, investigadora e a primeira mulher a leccionar numa universidade portuguesa, na Universidade de Coimbra. Ela tem grande importância como mediadora entre a cultura portuguesa e a cultura alemã.
Nascida em Berlim na Alemanha, ela era portuguesa por casamento e por devoção. Em 1876 ela casou-se com Joaquim António da Fonseca Vasconcelos, musicólogo e historiador de arte.
O trabalho de investigação de Carolina Michaëlis levou-a a corresponder com inúmeros nomes grandes da cultura, por exemplo como os portugueses Eugénio de Castro, Antero de Quental, João de Deus de Nogueira Ramos, Henrique Lopes de Mendonça, José Leite de Vasconcelos, o Conde de Sabugosa, Teófilo Braga, Trindade Coelho, Anselmo Braamcamp Freire, Sousa Viterbo, Alexandre Herculano, os médicos e escritores António Egas Moniz e Ricardo Jorge, os espanhóis Menéndez y Pelayo e Menéndez Pidal, sem falar das personalidades francesas, inglesas e alemãs.

(Fonte: Wikipédia)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ruas de Anchieta: Rua Heitor dos Prazeres

Nascido da família simples do marceneiro e clarinetista da banda da Guarda Nacional, Eduardo Alexandre dos Prazeres, e da costureira Celestina Gonçalves Martins, moradores da Rua Presidente Barroso, no bairro da Cidade Nova (Praça Onze), Heitor dos Prazeres nasceu no dia 23 de setembro de 1898, uma década após a abolição da escravatura.
Sua chegada trouxe muita alegria a seu pai, esperançoso de que o filho desse continuidade ao nome Prazeres, pois na ocasião o casal tinha duas filhas: Acirema e Iraci, que ajudavam a mãe nos serviços caseiros e nas encomendas de costuras.
E Lino, como era chamado carinhosamente por suas irmãs, foi crescendo e aprendendo os primeiros passos e as primeiras palavras no convívio daquela família, onde todos procuravam manter a união no trabalho para que pudessem conservar aquele nível social e não acontecesse como em outras famílias negras que, marginalizadas por perseguições raciais e sociais, não arranjavam empregos, moradias e escolas e passavam a se agrupar em morros perto dos grandes centros, criando assim as favelas.
E Heitor foi crescendo, e com ele as favelas. Ao completar sete anos de idade foi surpreendido com a morte de seu admirável pai, que naquela época já começava a lhe ensinar os primeiros passos na profissão de marceneiro e alegrava as longas tardes e noites daquela casa, solando, em seu clarinete, dobrados, polcas, valsas e choros, provocando, assim, o ouvido musical de seu filho Lino.
As ferramentas no armário do quintal, o clarinete em cima da cristaleira e o piano trancado em um canto da sala traziam para o menino Heitor fortes lembranças de seu pai, cuja morte ele questionava. Dona Celestina, mulher forte e dinâmica, respondia ao menino contando a história de seus antepassados, escravos vindos da África, numa jornada sofrida e desumana. E comparava a situação de sua família, até certo ponto privilegiada, graças à dedicação e ao trabalho do pai Alexandre, em comparação a outros irmãos negros. E justificava a morte do pai Eduardo Alexandre dos Prazeres, atribuindo à vontade de Deus, consolando assim as suas crianças.
Com a ajuda de suas filhas, de parentes e amigos, entre eles o tio Hilário Jovino (Lalu de Ouro) – que, entusiasmado com a vocação musical de Lino, deu-lhe o primeiro cavaquinho –, Dona Celestina consegue matricular o menino numa escola profissionalizante, onde cursava o primário e aprendia a profissão de marceneiro. Heitor desenvolve-se tendo como modelo o tio, cujo modo de compor ele admirava, sendo mais tarde influenciado por ele em suas primeiras composições, despertando o interesse do pianista Sinhô por aquele estilo de composição.
Heitor engraxate, Prazeres jornaleiro e Lino ajudante de marceneiro e lustrador de móveis, todos esses personagens dentro de um corpo negro, franzino e arisco, com gingado de capoeira, na fase dos seus 12 anos, deram força ao mano Heitor do Cavaquinho, que na época já participava das reuniões nas casas das tias, onde se cultuavam ritmos afros como candomblé, jongo, lundu, cateretê, samba etc., destacando-se como um grande ogã-ilu e ogã-alabé, improvisando versos, ritmando nos instrumentos de percussão e harmonizando em seu cavaquinho, presenteado por tio Lalu, instrumento este que se tornou o amigo inseparável do menino Heitor dos Prazeres. A essas reuniões geralmente Lino era levado por seus familiares, especialmente por seu tio Hilário, que sempre o incentivava no instrumento, fazendo com que Heitor o acompanhasse em seus improvisos. Esses encontros eram feitos nos fins de semanas em casas de parentes e amigos, como na casa da própria vovó Celi, tia Esther, de Oswaldo Cruz, tia Ciata (Maria Hilária Batista de Almeida), onde aconteciam reuniões das mais famosas da época e onde se encontravam vários bambas, como Lalu de Ouro, José Luiz de Moraes (Caninha), João Machado Guedes (João da Baiana), José Barbosa da Silva (Sinhô), Getúlio Marinho (Amor), Ernesto Joaquim Maria dos Santos (Donga), Saturnino Gonçalves (Satur), Alfredo da Rocha Viana (Pixinguinha), Paulo Benjamim de Oliveira e muitos outros sambistas daquela época.
A partir daí Heitor caiu no mundo: cavaquinho em punho, caixa de engraxate e a bolsa ao lado de carregar os jornais, saiu ele na conquista de sua cidade e de sua formação nesta grande escola da vida, dedilhando seu instrumento, deixando-se levar pela magia daquele som, descobrindo acordes, tentando conhecê-los mais intimamente.
Nas redondezas de seu bairro, preferia os pontos onde existia música, como as cervejarias da Praça Onze, com suas sessões de cinema mudo, animadas por pianistas ou pequenos conjuntos musicais que fascinavam o garoto Lino, ali assistindo do lado de fora, atento aos movimentos dos músicos que tiravam sons de seus instrumentos a cada movimento das cenas filmadas. Ele gostava também dos cafés nos arredores da Lapa, onde ia ouvir as orquestrinhas de valsas e choros que animavam as noites da bela época do Rio de Janeiro. Ao fim de cada apresentação, o maestro passava seu elegante chapéu de palha entre os freqüentadores, arrecadando dinheiro para os instrumentistas, que geralmente no fim das noitadas arranjavam propostas para serenatas dedicadas às pretendidas dos mais românticos freqüentadores daqueles requintados cafés.
Nos Prazeres das noites cariocas ele foi crescendo. E nos carnavais, já rapazinho e se destacando entre os bambas, Heitor costumava sair fantasiado de baiana, levando nos ombros um pano da costa em cores vivas, cantando e tocando seu cavaquinho, arrastando foliões que dançavam animadamente segurando as extremidades do pano como uma bandeira, fato esse que inspirou Heitor dos Prazeres a criar um estandarte para outros carnavais.
Na década de 20, passou a ser conhecido como Mano Heitor do Estácio, devido ao fato de andar sempre acompanhado de bambas de sua amizade como os sambistas e compositores João da Baiana, Caninha, Ismael Silva, Alcebíades Barcelos (Bide), Marçal, ajudando a fundar e a organizar vários agrupamentos de samba no Rio Comprido, no Estácio e nas imediações. Chegando até a Mangueira e Oswaldo Cruz, onde havia reuniões a que compareciam Cartola, Paulo de Oliveira (conhecido mais tarde como Paulo da Portela), João da Gente, Mané Bambambam e muitos outros, participando assim da criação das primeiras escolas de samba: Deixa Falar, De Mim Ninguém se Lembra e Vizinha Faladeira, no Estácio; Prazer da Moreninha e Sai como Pode, em Madureira, que se transformaram na sua querida Portela, à qual ele deu as cores azul e branco. Heitor participou também dos primeiros passos da Estação Primeira de Mangueira, aonde ia contratar as pastoras para apresentações em festas e cassinos com seu amigo e parceiro Cartola.
Sua popularidade crescia; Heitor vivia e amava muito. Em 1925 compôs Deixaste meu lar e Estás farto de minha vida, gravada por Francisco Alves.
Uma de suas paixões o censurava muito por sua vida boêmia, e por causa disso ele se inspirou e fez Deixe a malandragem se és capaz. Em 1927 começou sua famosa polêmica com Sinhô (a primeira polêmica na música popular brasileira). Apresentando-se em uma das mais populares festas do Rio de Janeiro, a de Nossa Senhora da Penha, onde eram lançadas as músicas que o povo cantaria durante o carnaval, foi surpreendido quando ouviu a música Cassino maxixe, gravada por Francisco Alves, sendo a autoria atribuída exclusivamente a Sinhô. Heitor dos Prazeres ficou chateado e foi reivindicar sua parceria na música. Sinhô, meio desconcertado, desculpou-se com aquela célebre frase no mundo do samba: “Samba é como passarinho, a gente pega no ar”. Heitor, então, fez um samba de alerta aos companheiros, Olha ele, cuidado, obtendo como resposta o samba Segura o boi. Sinhô, na época, era chamado "Rei do Samba", o que levou Heitor a compor a música Rei dos meus sambas. Sinhô tentou inutilmente impedir que o samba fosse gravado e distribuído. Embora tivesse vencido a questão, e com isso o reconhecimento público pela autoria, Heitor não conseguiu a indenização prometida por Sinhô.
Em 1931, casou-se com Dona Glória, com quem viveu até 1936, nascendo como fruto desta união três filhas: Ivete, Iriete e Ionete Maria.
A prefeitura do Distrito Federal, em 1943, promoveu o Primeiro Concurso Oficial de Música para o Carnaval, do qual Heitor dos Prazeres foi vencedor com o samba Mulher de malandro, interpretado por Francisco Alves. Nessa época Heitor já trabalhava nas primeiras emissoras de rádio do Rio de Janeiro, fazendo apresentações com seu cavaquinho, acompanhado de vozes femininas, ritmistas e passistas, grupo este que se denominava Heitor dos Prazeres e Sua Gente.
Em 1933, compôs a célebre Canção do jornaleiro, na qual descrevia a vida dos meninos que andavam pelas ruas da cidade vendendo jornais, numa lembrança de sua infância. A música deu origem à campanha em prol da construção da Casa do Pequeno Jornaleiro.
Com a morte da esposa em 1936, da paixão e tristeza de Heitor dos Prazeres surgiu uma nova maneira de se expressar artisticamente. O compositor descobriu o pintor ao ilustrar, através de um desenho colorido, sua mais nova criação musical: O pierrot apaixonado. Nessa ocasião o artista morava num quarto na Praça Tiradentes, que era freqüentado por pessoas atraídas pela fama de Heitor no meio dos bambas e pelo conhecimento que tinha dos lugares onde aconteciam as reuniões mais importantes da cultura afro-brasileira: candomblés, umbandas, jongadas, capoeiras e rodas de sambas, entre outras. Entre tais freqüentadores, na maioria universitários, lá estava um estudante de medicina que se lançava como grande boêmio e sensível compositor de sucesso no mundo fonográfico: Noel Rosa, que fora procurar o amigo bom de briga, famoso também por sua habilidade no jogo da capoeira nas imediações, onde um marinheiro grande e forte queria tomar a sua namorada. E Heitor então foi lá resolver o problema do companheiro. Chegando ao bar onde já era conhecida sua fama de capoeirista dos bons, o tal marinheiro percebeu que tinha embarcado em uma canoa furada, e foi se desculpando com o bamba, que o mandou ancorar em outra praia, para felicidade do casal. Ao voltarem contentes, Heitor foi cantarolando a marcha que estava compondo, tendo despertado a curiosidade de Noel, que disse ter gostado muito da letra, em cuja segunda parte havia uma frase que ele considerava muito forte e triste: "Depois de tanta desgraça, ele pegou na taça e começou a rir". Noel sugeriu que ele modificasse aquela parte da letra, e escreveu: “Levando este grande chute foi tomar vermute com amendoim”, entrando assim na parceria de uma das músicas de maior sucesso de Heitor. Na mesma noite chegaram outros estudantes à procura do mestre, entre eles Carlos Drummond de Andrade, que levava nas mãos um poema dedicado ao amigo para que fosse transformado em música. O compositor não conseguiu musicá-lo, porém mais tarde o pintor se inspiraria a criar um quadro com o nome do poema que Drummond lhe dedicara: O Homem e seu Carnaval (1934). Este ilustre estudante e um outro – não menos ilustre – estudante de jornalismo, além de desenhista, Carlos Cavalcante, foram, juntamente com o pintor Augusto Rodrigues, os incentivadores e lançadores do artista plástico Heitor dos Prazeres. Artista plástico porque sua plasticidade não se resumia ao desenho de figuras e às cores de sua pintura, abrangendo também a criação e confecção de instrumentos musicais de percussão, chegando até a costura – nos modelos de seus ternos, nas roupas de seu grupo de shows –, o mobiliário e a tapeçaria decorativa.
Em 1937 começou a se projetar como pintor, participando de exposições, sempre incentivado pelos amigos. Começava assim a dupla atividade de sambista e pintor.
No ano de 1939, participa em São Paulo, nas rádios Cruzeiro do Sul e Cosmo, do “Carnaval do Povo”, com mais de 100 artistas, entre os quais Paulo da Portela, Cartola, Carmem Costa, Dalva de Oliveira, Araci de Almeida, Francisco Alves, Carlos Galhardo, Bide, Marçal, Henricão, Herivelto Martins e Nilo Chagas (dupla Branco e Preto, mais tarde Trio de Ouro com Dalva de Oliveira) e muitos outros sambistas e cantores, que foram recebidos pelo então locutor e baliza Adoniran Barbosa, o anfitrião daquele grande evento de cultura brasileira, realizado em praça pública, marcando a entrada do samba na terra da garoa. Dali a excursão se estendeu a Buenos Aires e Montevidéu.
Devido ao sucesso de tais espetáculos, esse tipo de música começou a ser requisitado pelos grandes salões. E ao voltar das excursões o elenco foi contratado por cassinos, teatros, rádios etc.
No final da década de 30, além de trabalhar em emissora de rádio, Heitor fazia parte do elenco do Cassino da Urca, onde tocava, cantava e dançava em companhia de Grande Otelo e Josephine Backer, daí vindo a conhecer o cineasta Orson Welles, que o contratou como arregimentador de figurantes para um filme sobre a cultura afro-brasileira, mais precisamente o samba e o carnaval.
Novo casamento acontece nessa época, Heitor e Nativa Paiva, uma de suas pastoras, que lhe deu dois filhos: Idrolete e Heitorzinho dos Prazeres, um menino tão esperado que o inspirou na composição da música A coisa melhorou, onde, em versos, dizia: "É mais um guerreiro, é mais um carioca, é mais um brasileiro". A música foi gravada numa das primeiras produções independentes, lançando a cantora Carmem Costa em sua carreira solo como intérprete (no começo da década de 30, Heitor já havia produzido um disco independente para o carnaval com as músicas Gata borralheira e Me forçou a dormir cedo, com um detalhe curioso: o disco matriz era colocado na eletrola de trás pra frente).
Dos Prazeres – talvez por influência do sobrenome –, além do prazer pela arte da música, da dança e da pintura, cultivava o grande prazer de estar sempre rodeado de belas mulheres, tratadas carinhosamente de “minhas cabrochas”, geralmente mais de dez moças que ele treinava para dançar e cantar com seus músicos e ritmistas e que o acompanhavam em suas excursões.
Numa dessas apresentações em São Paulo, onde Heitor fazia muito sucesso nos programas de rádio, em teatros, circos e festas populares de rua, conheceu uma bela jovem, com nome de flor, que lhe deu a filha Dirce e o inspirou na marcha-rancho Linda Rosa,. Seus amores eram suas musas, como nas músicas Deixa a malandragem, Gosto que me enrosco e Mulher de malandro, inspiradas em tia Carlinda, com quem teve um romance nos idos de 1927 e tiveram uma filha – Laura, a mais velha.
Outro destaque em sua obra musical foi o samba Lá em Mangueira, de 1943, com parceria de Herivelto Martins, gravado originalmente pela dupla Branco e Preto e Dalva de Oliveira. No mesmo ano, Heitor dos Prazeres passa a integrar o elenco da rádio Nacional do Rio de Janeiro e a participar de exposições de pinturas pelo Brasil e o exterior. Uma delas foi a exposição da RAF em benefício das vítimas da 2.a.guerra, na qual apresentou sua tela Festa de São João, indicada pelo amigo e admirador Augusto Rodrigues, também participante da coletiva, que reunia artistas de vários países. O quadro do mestre Heitor foi adquirido pela então princesa Elizabeth, em Londres. Com isso a fama do pintor cresce e no mesmo ano é convidado a expor individualmente no diretório acadêmico da Escola de Belas Artes, em Belo Horizonte.
“A PRIMEIRA BIENAL DE ARTE MODERNA”, em São Paulo.
Incentivado novamente pelo amigo, jornalista e crítico de artes Carlos Cavalcante a participar desse evento de arte de repercussão internacional, que reuniu, em 1951, artistas de várias expressões do Brasil e do mundo, proporcionando uma grande alegria na sua carreira com a contemplação do terceiro prêmio para artistas nacionais através do quadro intitulado Moenda, que até hoje faz parte do acervo do museu.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Nomes de ruas

Alguns nomes de ruas dos bairros de Anchieta e Ricardo de Albuquerque, todos de origem tupi-guarani:

Abaúna: rio da cidade, água
Acarape: "dos Acarás" (tipo de peixe)
Acari: tipo de peixe com escamas ásperas
Aiúba: abraço
Araçá: fruto de época, tempo
Aripuá: rede enrolada
Aroeira: árvore velha
Barueri: flor vermelha que encanta
Beberibe: lugar onde cresce a cana
Gitirana: cigarra
Guanandi: o que é grudento
Igarapé: pequeno curso d'água
Igarité: canoa de vulto
Itaici: designação a todo tipo de vale
Itajobi: pedra verde
Itanhomi: pedra escondida
Itatiaia: pedra cheia de pontas
Jaboticabal: derivado de jabuticaba (comida de jabuti)
Jaguará: o que devora (cachorro, lobo, gato, onça)
Jaruvá: certo tipo de palmeira
Juarana: se parece com Jucá
Samambaia: aquele que se torce em espiral
Tapuia: designação antiga dada pelos tupis aos gentios inimigos, índio bravio
Taquaraçu: taboca gigante
Umbuzeiro: derivado de umbu (imbu)